10 atitudes para o sucesso financeiro de nossos filhos e filhas

Por Gabriel Padovesi*

Finanças e crianças. Apesar da rima fácil, essa combinação é uma das mais complexas quando se trata de educação financeira.

Família foto criado por freepik — br.freepik.com

Sou o pai preocupado do Bernardo, um menino ladino, de 4-pra-5 anos. E, apesar de ser planejador financeiro pessoal, trabalhar com investimentos e dedicar boa parte dos meus estudos ao comportamento financeiro, não sou pedagogo, o que me torna pouco mais que um mero especulador, quando se trata de educação financeira para as crianças.

Porém, há 10 atitudes que precisam ser postas em prática para que nossos filhos cresçam com um relacionamento saudável com o dinheiro.

Estimular o autocontrole
Muita gente conhece o teste do Marshmallow (https://youtu.be/77XIyD0YTqU) como um vídeo fofo do Youtube, mas poucos sabem que esse estudo sobre autocontrole na infância relacionou a capacidade resistir à tentação do Marshmallow a um melhor desempenho educacional, profissional e financeiro na vida adulta. Se há algo que deve ser ensinado às crianças é a ter paciência para obter as grandes gratificações que vêm com o tempo — não é à toa que essa também é a chave para investir bem.

Não alimentar tabus sobre o dinheiro
É natural que os pais transmitam a seus filhos suas crenças. Com as finanças, não seria diferente. Se nossa relação com o dinheiro não é boa, ela será transmitida para nossas crianças. Por exemplo, se formos consumistas, podemos estabelecer a crença de que o dinheiro só serve para suprir o prazer imediato. Por isso, é importante autoconhecimento para transmitirmos boas lições aos nossos filhos.

Mostrar o valor do trabalho

Dinheiro é fruto de um esforço que pode ser invisível para as crianças. É importante que elas saibam que a mamãe e o papai se dedicam para obter uma fonte de renda. Por isso, cada conquista precisa ser cuidada e valorizada.

Ser o exemplo

“Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” é o tipo de postura que apenas confunde o entendimento dos pequenos. A atitude é o maior exemplo. Por isso, busque ter boas escolhas financeiras e evidenciá-las para seus filhos — lembre-se que eles só vão saber aquilo que você apresentar.

Tangibilizar o dinheiro

Cartões, aproximação, PIX (novo serviço de transferência de dinheiro) — o dinheiro está cada vez mais virtual. Se a criança só conhece meios eletrônicos de pagamento, pode criar uma ilusão de que basta passar o cartão na máquina, sem compreender que existe uma transação por trás. Pagar algumas de suas compras em dinheiro ajuda a ver como essa troca funciona.

Incluir as crianças nas decisões financeiras

É comum afastar as crianças dos problemas financeiros, com a boa intenção de protegê-los. Porém, isso muitas vezes provoca uma imagem utópica das finanças familiares e uma falsa percepção de que o dinheiro é infinito. Deixar a criança saber que a relação com o dinheiro é feita de escolhas é crucial para o desenvolvimento dessa habilidade.

Gabriel e seu filho Bernardo

Aproveitar momentos lúdicos para educar

Uma ida ao supermercado, um passeio em um parque de diversões ou até mesmo uma viagem podem ser bons momentos de aprendizado para as crianças. Que tal confiar-lhes um dinheiro e deixá-los administrar suas próprias despesas nesses períodos?

Deixar a criança administrar seu próprio dinheiro

Oferecer uma mesada, ou dar um cofrinho, é um bom passo para a criança começar a criar uma relação com o dinheiro. Entender que poderá usá-lo ou guardá-lo para atingir grandes objetivos é positivo para o amadurecimento financeiro. É possível até mesmo orientar a separar o dinheiro em gastos de curto prazo, de longo prazo (compras maiores e mais caras) e aquele para o futuro, introduzindo o conceito de rendimento.

Apresentar as oportunidades para o jovem

É possível abrir uma conta em uma corretora para os jovens e ensiná-los a investir, inclusive em ações, ou até mesmo ajudá-los a empreender. Isso os fará entender como o uso estratégico do dinheiro pode trazer retorno — e risco — e entender na prática conceitos como juros e inflação.

Os conceitos apresentados acima buscam dar um norte sobre o que não pode faltar na relação de nossos filhos com as finanças. Existem inúmeras maneiras para colocá-los em prática e tudo vai depender da maneira como nós, pais e mães, educamos nossos filhos.

Mas espero que essas dicas sejam úteis para colocar nossas crianças em um caminho de prosperidade e oportunidade.

*Gabriel Padovesi, CFP® é Especialista de Investimentos com 10 anos de experiência no mercado financeiro, integra a equipe de Recomendação de Investimentos no Itaú Unibanco e é MBA em Economia, Investimentos e Mercado Financeiro pela USP. Dedica-se também a estudos sobre comportamento financeiro e tomada de decisão. Lecionou sobre o tema no curso Finanças Comportamentais Aplicadas da Fundação Getúlio Vargas e é Key Position para sua disseminação na instituição financeira.

O Ação Jovem do Mercado Financeiro e de Capitais (AJ) é uma associação sem fins lucrativos que visa aproximar os brasileiros do mercado financeiro - www.ajmc.br

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