Entenda o que é ESG e quais são as mudanças que esta sigla traz para o mercado financeiro

O termo, que remete a parâmetros sociais, ambientais e de governança corporativa, tem se tornado cada vez mais popular entre investidores, gestores, analistas e empresários

Por Mayara Marques Carneiro

O ESG, nos últimos meses, tem sido um tema abordado e discutido com maior frequência não apenas no mercado financeiro, mas também no mundo corporativo como um todo. Apesar de essa sigla pode soar diferente, mesmo contemplando práticas já conhecidas.

Trata-se de uma série de parâmetros para avaliar empresas e investimentos de acordo com seus impactos e desempenhos em três áreas: Meio Ambiente, Social e Governança Corporativa, ou no original em inglês, Environment, Social and Governance (ESG).

Com isso, o objeto da análise é verificar se empresas e investimentos vão além de simplesmente “vender” uma ideia sustentável; a análise sob a ótica ESG precisa comprovar que esses parâmetros estão sendo seguidos em forma de ações e métricas de acompanhamento. Além disso, serve também para ter ciência de como essas ações podem mensurar e conduzir, por exemplo, os riscos a longo prazo de um investimento.

“O ESG está ligado a processos e não a produtos. São processos que uma empresa cria para ter uma melhor governança, cuidar do meio ambiente e da sociedade — seja dentro ou fora da companhia. É uma cultura que se estabelece da porta para dentro da empresa e que não pode se restringir ao conselho ou diretoria da corporação” Fabio Alperowitch, diretor da FAMA Investimentos.

Em alta

O ESG já existe há um tempo, mas voltou a ficar em alta em 2020. Este ano, a preocupação com questões ambientais e sociais, em especial, voltaram a chamar atenção de muitas pessoas. No Brasil, as discussões giram em torno principalmente do aumento do desmatamento e queimadas ilegais que ocorrem na Amazônia e nos demais biomas brasileiros. Já no exterior, no âmbito social, impulsionado pela enorme onda de protestos contra o racismo.

Esses pontos trouxeram à tona a necessidade de posicionamento de companhias em relação às questões e despertaram no consumidor a ideia de observar o que consome e se este produto ou empresa não fomenta desmatamentos, fere questões sociais importantes, entre outros, ou seja, praticar um consumo consciente.

Um exemplo desta mudança por parte das empresas foi a carta endereçada ao vice-presidente Hamilton Mourão, na qual 40 companhias brasileiras e estrangeiras pediram um combate mais rígido em relação ao desmatamento e queimadas que ocorrem no Brasil. E este pedido, foi justificado pela imagem negativa do Brasil em relação às tratativas comerciais que ocorriam no exterior.

O investidor tem benefício ao optar por critérios ESG?

A principal vantagem de adotar critérios ESG é a transparência que esses dados trazem, gerando mais segurança em uma tomada de decisão e também, a garantia de que o investimento feito é sustentável, mitigando possíveis riscos a longo prazo.

E isso é possível pois a companhia, ao captar recursos pautados em práticas ESG, firma um compromisso de seguir e manter os parâmetros acordados. Se fizer simplesmente tornar-se um “marketing verde”, sem ações concretas, pode ser penalizada pelo mercado (consumidores e investidores).

Para investidores, em especial, há a possibilidade de aplicar em “títulos verdes”, em que o capital aplicado é direcionado à práticas como crédito de carbono, agricultura orgânica, eficiência energética, ações de impacto social positivo, entre outros.

Uma mudança que veio para ficar

No geral, as práticas ESG não devem ser uma tendência passageira e já influi sobre sua cadeia de consumo, com a crescente preocupação de consumidores com ações diretas e indiretas das marcas que consome.

É importante entender que, seu investimento também é direcionado para contribuir com essa mudança, e pode viabilizar muito mais a dispersão das práticas ESG para àqueles que ainda não aderiram, por aumentar a oferta e demanda deste segmento. Por isso, cobrar uma atitude responsável social e ambientalmente, é algo que pode impactar em uma melhor qualidade de vida para todos.

O Ação Jovem do Mercado Financeiro e de Capitais (AJ) é uma associação sem fins lucrativos que visa aproximar os brasileiros do mercado financeiro - www.ajmc.br

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