Guia para sair do aluguel e comprar seu imóvel

Neste artigo você vai encontrar dicas de quando é o melhor momento para se aventurar na casa própria, quais opções de pagamento e como se planejar para conseguir realizar esse sonho

Por Carol Stange

Realizar o sonho da casa própria é, sem dúvida, uma grande conquista. E significa para uma imensa maioria de brasileiros, mais segurança, conforto, proteção e até dignidade.

Mas morar de aluguel não deve ser considerada a pior opção quando se fala de moradia.

Em alguns momentos da vida, essa pode sim, ser a melhor escolha, seja para poder morar mais próximo ao trabalho (que se traduz em qualidade de vida para quem mora em grandes centros), seja pelo cenário econômico geral. O Brasil ainda tem taxas de juros proibitivas para novos financiamentos imobiliários, consideradas altas para muitos brasileiros.

Mas, se em alguns momentos específicos da vida morar de aluguel pode ser mais indicado, em outros, pode se tornar uma fonte de aflição. Um exemplo: quando os desejos de reforma do imóvel são vetados pelo proprietário; manutenções que deveriam ser feitas pelo dono do imóvel que são proteladas infinitamente; medo de que seja preciso desocupar o imóvel rapidamente sem tempo hábil para a procura de outro que atenda às necessidades da família; ou até mesmo falta de proximidade da escola das crianças, acesso ao transporte público, serviços de saúde e conveniências em geral. Por fim, mas não menos importante, a dificuldade em lidar com aquela sensação incômoda de não ter a própria casa.

Para ajudar àqueles que desejam ou precisam sair do aluguel, separei esse guia com informações importantes,de modo que seja conquistado o sonho de ter um imóvel próprio sem atrapalhar as finanças. Ainda que alguns pontos pareçam óbvios, e talvez pequenos demais para fazer diferença no planejamento desse objetivo, pense que uma boa estratégia contempla diversos aspectos, mesmo que sejam meros detalhes. Vamos lá?

  1. Conheça seus números

O primeiro e mais importante passo a ser tomado é a preparação do orçamento.

Quitar eventuais dívidas e pendências financeiras, além de saber qual é a real capacidade de poupança mensal são essenciais para que o processo comece com o “pé direito”.

Uma boa dica é aproveitar esse momento para observar o padrão de consumo familiar e readequar hábitos financeiros que estejam exagerados ou sem o devido controle. Quanto mais conhecimento existir sobre os números, mais fácil se tornará a realização desse sonho.

  1. Comece a economizar

Reduzir as despesas é um ponto relevante em todo planejamento, e readequar os gastos ou eliminá-los (nem que seja por um período de tempo específico) pode significar chegar mais cedo à realização do sonho de ter o próprio imóvel. Sempre há alternativas mais econômicas para nossa rotina, como substituir a ida ao trabalho de carro pelo metrô, ônibus ou carona, ou até mesmo negociar home office em alguns dias específicos da semana.

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  1. Guarde dinheiro

Aqui um ponto de atenção que passa facilmente despercebido: economizar e poupar são coisas diferentes.

Se economizar refere-se a cortar e reduzir gastos, poupar significa que o dinheiro economizado é destinado para um objetivo em específico, nesse caso, a compra de um imóvel (aliás, definir um objetivo para o dinheiro economizado é o principal motor para a realização de qualquer plano).

Com o dinheiro poupado, é interessante pesquisar por investimentos que reflitam o perfil de investidor e o prazo para o qual se está planejando usar esses recursos. Importante saber também que, quanto maior a entrada financeira na sua conta, maior o poder de negociação e menos juros serão pagos se optar por um financiamento do imóvel. Até nisso guardar dinheiro ajuda!

  1. Projete eventos futuros

Se a compra do imóvel refletir, por exemplo, o desejo de aumentar a família, é preciso também, incluir esse evento no planejamento financeiro. Se faça perguntas, como por exemplo: “quanto do orçamento mensal será comprometido com esse evento?” se possível respondida com maior precisão.

Esse cuidado com as finanças também vale para a vida profissional: uma demissão inesperada ou uma doença mais grave também precisam constar no planejamento. E mesmo que, o objetivo principal seja a compra de um imóvel, a construção da Reserva Financeira tem um papel insubstituível como “prioridade número 1” em qualquer bom planejamento financeiro.

  1. Escolha a melhor forma de pagamento do seu imóvel

Chegamos ao ponto altamente estratégico do seu planejamento! A melhor opção para a aquisição do imóvel será um financiamento imobiliário (a CEF conta com as melhores taxas de juros para essa finalidade), a contratação de um consórcio (para quem não tem pressa) ou a utilização do saldo do FGTS? E essas são apenas algumas opções à analisar. Separei a seguir os 6 principais modelos utilizados para esse momento:

5.1 Financiamento Imobiliário pela CEF:

Atualmente, a Caixa disponibiliza 3 modalidades para financiamento imobiliário: o Sistema de Amortização SAC, o Crédito Imobiliário com IPCA e o Crédito Imobiliário com Taxa de Juros Fixa.

Em contratos com sistema de amortização SAC, o valor da prestação que utiliza a TR como indexador ou a taxa pré-fixada, diminui com o passar do tempo, enquanto nos contratos que usam o IPCA, o valor da prestação aumenta porque sofre a mesma correção do IPCA aplicada ao saldo. Já o Crédito com Taxa de Juros Fixa, é justamente isso, as prestações são iguais do início ao fim do contrato.

A parcela de qualquer um dessas três opções de crédito pode ser de até 30% da renda familiar bruta e a escolha de cada modelo de Crédito é reflexo de qual se adequa melhor ao seu planejamento financeiro.

5.2 Financiamento bancário comum

É preciso muita pesquisa e análise ao optar por um financiamento bancário, pois cada instituição financeira, apesar de precisar cumprir com determinadas regulamentações do Banco Central, é livre para oferecer condições específicas e únicas para seus clientes.

Fazer cotações em diversos bancos e comparar todos os pontos positivos e negativos das propostas é a melhor ideia. Lembre-se de não considerar apenas o valor das prestações e taxas, mas também o modelo operacional do banco escolhido, já que será um relacionamento de longo prazo com a instituição.

5.3 Consórcio de imóveis

Basicamente, o consórcio funciona como um grupo de pessoas que se unem em prol de um mesmo interesse — nesse caso, adquirir um imóvel.

É cobrada dos participantes do grupo uma taxa de administração embutida nas parcelas e, a cada mês, um integrante do grupo é contemplado com uma carta de crédito — documento que é repassado ao consorciado para a aquisição do imóvel. Até o final do consórcio, todos os participantes serão contemplados e, se houver o desejo de antecipar a contemplação, é possível dar lances, que idealmente devem ser de 30% a 50% do valor total da carta de crédito.

Quando comparado ao financiamento tradicional, uma vantagem desse modelo é o pagamento das mensalidades sem a cobrança de juros. Por outro lado, na impossibilidade de fazer lances altos, será preciso esperar até a contemplação, que pode acontecer no final do plano (que costuma ultrapassar 10 anos).

5.4 Utilização do FGTS — Fundo de Garantia do Tempo de Serviço

O saldo da conta do FGTS, que é aquela reserva formada a partir de depósitos mensais que o empregador deve fazer em uma conta bancária na Caixa Econômica Federal em nome do empregado, pode ser destinado para pagamento da casa própria.

Sua utilização contempla a compra de um imóvel residencial (pronto ou em construção), a amortização ou liquidação do saldo devedor, ou o pagamento de parte do valor das prestações (essas duas últimas valem para contratos já em andamento).

O FGTS também pode ser utilizado para ofertar os lances no Consórcio Imobiliário ou até mesmo para complementar o valor da carta de crédito

5.5 Financiamento direto com a construtora

Se o imóvel desejado ainda está na planta, o financiamento realizado diretamente com a construtora pode ser uma boa alternativa, já que as construtoras precisam movimentar seu caixa e vender os empreendimentos o mais rápido possível.

É possível encontrar diversas facilidades nas formas de entrada e de pagamento, e até adicionais, como itens de acabamento e decoração. Aqui, a negociação é no “modelo antigo”ou seja, vale pedir, argumentar e barganhar.

5.6 Compra à vista

Sem dúvidas, poder pagar o imóvel à vista seria o mundo ideal. O comprador consegue descontos substanciais ao comportar essa forma de pagamento, evita comprometimentos futuros no seu orçamento e pode transferir o imóvel para seu nome de forma rápida e com menos custos.

  1. Saiba qual é o imóvel ideal

Definidos os passos anteriores, chegou a hora de começar a procurar o imóvel que reflita suas necessidades e desejos! Fazer uma lista das características e benefícios procurados no imóvel é uma ótima pedida, assim o foco mantém-se no que realmente é preciso ou desejado e há certa blindagem contra os discursos vendedores ou decorações bonitas nos stands de pré-venda.

Importante considerar, além das características da planta do imóvel, as facilidades do entorno, como comércio, escolas, linhas de ônibus ou metrôs, e também se o bairro conta com ruas asfaltadas, segurança e boa iluminação. Tais cuidados impactarão fortemente na rotina do morador, portanto, não deixe de observá-los!

Como uma boa Educadora Financeira, também deixo a orientação para você ter uma visão investidora na hora de decidir pelo imóvel, considerando o potencial de valorização dele. Bairros com crescimento planejado, que contem com vista definitiva para áreas verdes, que apresentem bons índices de segurança, com vias para fácil acesso ao bairro e que tenham atrativos que facilitam nossa vida agitada tendem a valorizar com o tempo.

Quem sabe, mesmo sendo um imóvel pensado para moradia, esse bem não se transforma, mais tarde, em uma boa opção de retorno futuro?

  1. Lembre dos gastos extras ao sair do aluguel

Sim, haverão gastos extras (inclusive alguns “gastos-surpresa”) com os quais será preciso arcar nesse processo. Cartórios, pequenos reparos ao entregar o imóvel alugado, pagamento de taxas como o Imposto de Transmissão Inter Vivos (ITIV), lembre-se também de despesas com empresas de mudanças, instalação de armários novos e fiação elétrica, dentre outros custos que, precisam ser mapeadas para uma transição segura e sem surpresas desagradáveis. E isso vale tanto para imóveis novos quanto usados.

Conclusão

Como você pôde ver neste Guia, sair do aluguel é um sonho possível mas demanda alguns cuidados para que todo o processo não cause dor de cabeça no futuro. Montar um planejamento financeiro, ter disciplina e trabalhar em etapas são as chaves para uma boa compra. Desejo que você realize o seu sonho da melhor maneira possível e boa compra!

Um beijo e vejo você no próximo conteúdo educativo sobre finanças pessoais. Até mais!

Carol Stange orienta pessoas, há mais de 15 anos, sobre Finanças Pessoais, Educação Financeira, Desenvolvimento e Gestão de pequenos negócios. Apaixonada por Educação Financeira, Carol é educadora, colunista, palestrante, empreendedora e micro influenciadora digital, com mais de 50 mil pessoa acompanhando seus posts diários sobre o tema em suas redes sociais. Conheça mais em www.carolstange.com.br e www.comoenriquecerseufilho.com.br

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